Ontem logo após o ENEM uma pergunta tomou conta do
meu pensamento, a faculdade pública é para os mais vulneráveis? Logo pela manhã
abrir um blog de notícia que trazia a seguinte manchete: Policia Federal diz
que gabarito do ENEM chegava a custar R$ 180 mil. Quem pagaria R$ 180 mil para
entrar em uma faculdade pública e por quê? A nossa política tem um grande
paradoxo, os defensores das políticas sociais e dos mais pobres acreditam que
as universidades públicas devem ser financiadas integralmente pelo governo. Mas
que se beneficia de fato das universidades públicas no Brasil?
O Instituto da universidade pública nos moldes de
hoje me faz pensar exatamente dessa forma, universidade pública não é para o
pobre, elas tendem a beneficiar os ricos de forma desproporcional, essa
investigação da Policia Federal mostra um pouco dos recursos usados para chegar
a uma universidade, as classes mais abastadas fazem altos investimentos para
que seus filhos estudem em faculdades públicas, com boas escolas particulares,
cursos preparatórios e até se utilizar de recursos espúrios como compra de
gabaritos e sistema de modernos para burlar os exames nacionais.
Qualquer tentativa de financiamento privado as universidades
públicas, através de empresas, cobrança de matricula para os estudantes mais
abastados é atribuído a uma privatização da universidade que deve ser pública, gratuita
e de qualidade.
Essa realidade da política educacional Brasileira demostra
que as cotas e os programas criados não conseguiram mudar essa realidade, a alta
concorrência das universidades públicas e a baixa qualidade das escolas
públicas brasileiras, contribuem para esse desequilíbrio, os mais pobres não
conseguem disputar com os mais ricos, tendo poucas chances de disputar uma vaga
em uma universidade financiada pelo governo.
O IBGE demostra essa desigualdade da seguinte forma,
a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, analisando os dados foi observado
que a população de classe alta corresponde a 24,8% da população brasileira.
Porem nas universidades públicas a classe alta ocupa 45,5% das vagas. Neste cálculo,
os mais vulnerais que estão na classe baixa corresponde a 23,1%, e são apenas
8,4% de estudantes universitários. Os dados da pesquisa são de 2013.
Confira o Gráfico:
A melhor saída para a educação no Brasil é mudar o
foco do investimento público da educação superior para a educação de base:
pré-escolar, primária e secundária. Incentivar a educação pré-escolar, é garantia
de melhores índices escolares para as crianças no ensino fundamental e médio. A
faculdade pública igualitária é uma utopia, na verdade a faculdade pública
fomenta uma sociedade desigual, o governo deveria cobrar de quem pode pagar,
como acontece nos Estados Unidos, onde a bolsa recebida é proporcional à renda
familiar do aluno. Por isso,
no lugar de criar programas que mandem os filhos dos ricos estudar no exterior
com o dinheiro de impostos – com o Ciência Sem Fronteiras – o governo federal
poderia pagar bolsas de estudo para estudantes pobres estudarem em boas escolas
particulares, para que seus direitos de fato sejam garantidos.
Por: Vitor Lôbo








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