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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Faculdade pública não é para o pobre

Agenda Politica - Por:Vitor Lôbo


Ontem logo após o ENEM uma pergunta tomou conta do meu pensamento, a faculdade pública é para os mais vulneráveis? Logo pela manhã abrir um blog de notícia que trazia a seguinte manchete: Policia Federal diz que gabarito do ENEM chegava a custar R$ 180 mil. Quem pagaria R$ 180 mil para entrar em uma faculdade pública e por quê? A nossa política tem um grande paradoxo, os defensores das políticas sociais e dos mais pobres acreditam que as universidades públicas devem ser financiadas integralmente pelo governo. Mas que se beneficia de fato das universidades públicas no Brasil?

O Instituto da universidade pública nos moldes de hoje me faz pensar exatamente dessa forma, universidade pública não é para o pobre, elas tendem a beneficiar os ricos de forma desproporcional, essa investigação da Policia Federal mostra um pouco dos recursos usados para chegar a uma universidade, as classes mais abastadas fazem altos investimentos para que seus filhos estudem em faculdades públicas, com boas escolas particulares, cursos preparatórios e até se utilizar de recursos espúrios como compra de gabaritos e sistema de modernos para burlar os exames nacionais.

Qualquer tentativa de financiamento privado as universidades públicas, através de empresas, cobrança de matricula para os estudantes mais abastados é atribuído a uma privatização da universidade que deve ser pública, gratuita e de qualidade.

Essa realidade da política educacional Brasileira demostra que as cotas e os programas criados não conseguiram mudar essa realidade, a alta concorrência das universidades públicas e a baixa qualidade das escolas públicas brasileiras, contribuem para esse desequilíbrio, os mais pobres não conseguem disputar com os mais ricos, tendo poucas chances de disputar uma vaga em uma universidade financiada pelo governo.

O IBGE demostra essa desigualdade da seguinte forma, a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, analisando os dados foi observado que a população de classe alta corresponde a 24,8% da população brasileira. Porem nas universidades públicas a classe alta ocupa 45,5% das vagas. Neste cálculo, os mais vulnerais que estão na classe baixa corresponde a 23,1%, e são apenas 8,4% de estudantes universitários. Os dados da pesquisa são de 2013.

Confira o Gráfico:



A melhor saída para a educação no Brasil é mudar o foco do investimento público da educação superior para a educação de base: pré-escolar, primária e secundária. Incentivar a educação pré-escolar, é garantia de melhores índices escolares para as crianças no ensino fundamental e médio. A faculdade pública igualitária é uma utopia, na verdade a faculdade pública fomenta uma sociedade desigual, o governo deveria cobrar de quem pode pagar, como acontece nos Estados Unidos, onde a bolsa recebida é proporcional à renda familiar do aluno. Por isso, no lugar de criar programas que mandem os filhos dos ricos estudar no exterior com o dinheiro de impostos – com o Ciência Sem Fronteiras – o governo federal poderia pagar bolsas de estudo para estudantes pobres estudarem em boas escolas particulares, para que seus direitos de fato sejam garantidos.

Por: Vitor Lôbo






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