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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Raul Seixas e a Democracia


Em 1973, explodia um dos hinos da carreira de Raul Seixas: metamorfose ambulante. Nesse mesmo ano, o mundo via, o primeiro choque do Petróleo, e a reorganização das atividades produtivas, passaram por uma verdadeira metamorfose, em virtude da nova matriz de custos. Parece que Raul, sempre teve razão, o mundo tem se alterado em virtude de uma série de fatores, entre eles o mais preponderante é a globalização, que inexoravelmente nesse cenário de incerteza, prevalece aquele que não tem opinião formada sobre nada, mas, aquele que, adapta-se rapidamente as constantes mudanças, sejam elas na economia, política ou na sociedade. O mundo tem passado por silenciosas metamorfoses, sobretudo na relações políticas. A vitória desafiadora de Donald Trump é o principal viés da crise de representatividade que vive a democracia. Em todas as partes do mundo, a população anda cansada da classe política e isso abre espaço, para que personagens como Trump que representa um liberalismo extremamente aflorado ganhe cada vez mais espaço. Em 2002, Duda Mendonça na campanha para o presidente Lula, cravou a seguinte tese: 1/3 dos eleitores estavam propensos a votar em Lula, 1/3 não votariam e 1/3 não se sentiam representados por nenhum candidato. Essa teória aplica-se em qualquer cidade do mundo, porém o que se tem visto é que, 1/3 dos que não se sentem representados por nenhum candidato tem crescido exponencialmente em todos os cantos do mundo, em virtude de pensamentos políticos, que não possuem mais a capacidade de entender a complexidade da sociedade. E o resultado disso é cada vez maior a crise de representatividade da democracia. Aliado a isso, as eleições municipais Brasileira, escancarou essa crise de representatividade, com grande volume de votos nulos e ausências de eleitores. Atrelado a isso, o pensamento político brasileiro, parou no tempo. Tanto a esquerda como a direita se distanciaram das causas sociais porque justamente, seu viés ideológico não é mais capaz de estabelecer um dialógo que envolva um elo entre discurso e prática. A eleição municipal na capital do Rio de Janeiro, escancarou ainda mais essa lacuna e distanciamento das bandeiras que define esse ordenamento político. Freixo, que é um grande defensor das causas sociais dos mais pobre (Ou pelo menos está em um partido que as defenda), foi sumariamente votado pelos mais ricos. Enquanto isso no mundo, as novas demandas como o aborto, legalização das drogas e outros movimentos ganha corpo e assume um caráter de indispensabilidade para o fortalecimento das relações sociais e, entretanto, a nova safra política surgem com um viés conservador, parecendo ir de encontro aos novos anseios da globalização. O fato mais preponderante é que o mundo está cada vez mais complexo e traz a necessidade urgênte de ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. O mundo muda toda hora e as pessoas que já tem pontos de vistas estabelecidos sobre quaisquer assuntos, serão incapazes de observar a rapidez e a grande dinâmica que as relações em todos os âmbitos têm alterado os costumes, os valores e principalmente a necessidade de uma profunda reflexão acerca da dimensão e dos desafios que nos serão impostos.
 Leonardo Cordeiro - Economista
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