O que se tem visto, nos últimos
dias, como essas ocupações em escolas, retrata a guerra ideológico, fruto de
uma polarização política de mais de 20 anos que o nosso país vive, e é ela a
principal causa das crises sistêmicas na política nacional. O direito de
manifestar é legítimo e legal, entretanto, as manifestações estão estampadas
com o pano de fundo ideológico, que atrasa e empobrece o diálogo e mais que
isso, desvirtua as reais necessidades das medidas emergências que o país
precisa tomar, e, algumas e muitas delas impopulares, mas que garantem um
crescimento sustentado para o futuro. A principal bandeira levantada nos
movimentos de ocupação é a educação (contrários a PEC 241) e nada parecido foi
feito quando a então presidente Dilma cortou 10 bilhões de recursos da educação
e provocou um verdadeiro caos quando os contratos do fies de vários alunos não
foram renovados, o que cai por terra e prevarica o discurso de movimento
apartidário. A PEC 241, agora 55, estabelece o teto de gasto público nas áreas primárias
para os próximos 20 anos ( a dívida pública bruta chegou a 70% do PIB), sendo
corrigido pelo índice de preço ao consumidor (IPCA) do ano anterior, deste
modo, em hipótese alguma, o governo pode gastar mais que arrecada, o que do
ponto de vista econômico é lógico e claro. O gasto primário, engloba as contas:
custeio, pessoal e investimentos. Isso quer dizer, que se o governo quiser
aumentar o investimento público, deve cortar recursos em outra área e vice
versa. Vale aqui lembrar, que os percentuais mínimos de gasto com saúde e
educação, permanecem de maneira inexoravelmente intocáveis, o que refuta a
ideia que se propagou, que haverá perda de recursos para essas áreas nos
próximos anos. Nesse arranjo financeiro, o Estado Brasileiro, ganha eficiência no
gasto, ou seja, deve priorizar as áreas mais relevantes para potencializar o
desenvolvimento e o crescimento econômico do país, afinal, os recursos, como
manda a doutrina econômica, serão sempre escassos para as necessidades
ilimitadas. É hora de colocar os interesses nacionais acima de disputa
política, da guerra ideológica, há muito a fazer e a PEC é o início, mas, sem
outras reformas especialmente a da previdência, que chegou a um ponto
insustentável, não será capaz de tirar o país da maior crise econômica de sua
história, apesar dos indicadores conjunturais apresentarem melhora nos últimos
dois meses. Bovespa subiu 9℅, risco país caiu 11%, valorização do real frente
às outras moedas, especialmente o dólar e o euro, que impacta diretamente na
queda da inflação, além de melhora nos indicadores de confiança dos empresários
e dos consumidores. Além da reforma na previdência, a reforma política é
emergencial, às urnas sinalizaram que os eleitores estão insatisfeitos e que
alguma coisa deve ser feita de forma rápida e eficaz, equacionando a
alternância de poder (sem tirar o país dos trilhos), para o amadurecimento da
democracia e da sociedade.
Leonardo Cordeiro Economista








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